Deserto de Atacama (Chile)

 

 

Quando o estado do tempo colabora, e tendo em conta que as minhas fotos são sujeitas a uma edição muito ligeira, o trabalho de escolher e preparar as fotos seleccionadas é muito rápido. Aqui está a galeria de imagens resultantes desta viagem de uma semana pelo Deserto de Atacama. Um local fantástico, ainda que reconheça que não é o tipo de viagem para todos. Espero que gostem.

 

 


 

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Pois bem. O dia de hoje devia ser simples, sem qualquer evento de destaque. Deveria ser apenas uma viagem de cerca de 400 km de Iquique até Calama, onde eu iria começar a minha viagem de regresso a Portugal. Deveria. Mas não foi.

O tal carro…este ao qual eu torci o nariz no início da viagem e que até se estava a portar bem, do nada simplesmente parou no meio da estrada. Parou. Acendeu uma luz no painel e o carro simplesmente desligou-se quando eu ia na estrada a cerca de 100 km/hora. Agora os detalhes. Eu estava ainda a cerca de 60 km de Calama e tinha um voo dentro de 4 horas. Detalhe ainda mais grave. No local onde isso aconteceu o telefone não tinha sinal! O que é que restava fazer? Pedir a algum carro que passasse que parasse. Felizmente nesse aspecto tive sorte e o primeiro ao qual acenei, parou. Mais uns pontos para a simpatia dos Chilenos. O homem foi espectacular e não só me levou para Calama, como me foi levar ao aeroporto. Claro que depois lhe paguei o favor bem pago mas ele não sabia isso. Foi mesmo impecável. E pronto. Aconteceu o que eu mais temia nas minhas viagens, para além de um acidente, claro. E o trauma não foi tão grande como pensei. Claro que quando cheguei ao aeroporto, reclamei de forma veemente sobre o sucedido mas a moça que me atendeu pouco ou nada podia ou queria fazer. Acredito que não pudesse mesmo porque foi simpática, tendo em conta o meu tom. Deu-me o email do chefe dela para reclamar. Claro que não vai dar em nada.

Para completar a festa, o meu voo de Santiago até aqui a Houston, saiu com quase 5 horas de atraso por supostos “problemas no sistema eléctrico do avião”. Por sorte, a minha escala aqui é de quase 8 horas e por isso o atraso não me fez perder os restantes dois voos.

E pronto, foi um final terrível para esta viagem, que no resto correu muito bem. Tem andado a acontecer-me de tudo nas últimas viagens. Mensagem para o Deus das viagens: Não vou parar de viajar!!!!!!

Na foto, o aeroporto de Calama, um aeroporto no meio do deserto.

Cumprimentos a todos desde Houston, nos Estados Unidos. O próximo contacto já será em Portugal :)

 


 

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Hoje o update é rápido porque foi o dia todo ao volante em estradas más e por isso estou morto! O GPS foi uma fantástica invenção para quem viaja mas quando se depende totalmente dele, as coisas podem correr mal. Hoje ele insistia em mandar-me pela “estrada” da foto. Detalhe…a parte que podem ver na foto é a melhor parte, logo no início. O GPS queria à força que eu fizesse 80 km nesse caminho! Ainda fiz 16 km mas acabei por voltar para trás antes que me metesse num buraco do qual não conseguisse sair. Claro que isto custou-me horas porque depois acabei por voltar pela estrada por onde tinha ido, porque pelo menos sabia onde estava e para onde ia.

Claro que uma viagem minha não está completa sem um contacto com as autoridades locais :) Mas desta vez não foi nada pessoal. Estavam a parar toda a gente num check point em busca de drogas.

E gostava que vissem o efeito da altitude numa garrafa de Coca Cola de plástico. Eu levava uma ao pé de mim no carro, como sempre, e de repente oiço um barulho…um “pop” bastante alto. Quando olho para a garrafa, ela amarrotou-se toda, encolheu-se…com se se tivesse sugado a ela própria. Nunca tinha visto tal coisa. Sempre a aprender :).

O final do dia foi verdadeiramente épico. A chegada à cidade de Iquique, também no litoral, é absolutamente fantástica, ainda mais à noite. Aconselho a verem fotos de Iquique…infelizmente não tive tempo para tirar. A chegada à cidade é pelo alto de uma montanha e de repente aparece a cidade lá ao fundo, com os seus prédios e a sua praia…é mesmo lindo. Ahhhh…e atrás da cidade existe uma duna de areia verdadeiramente gigante como que a vigia-la. Lindo.

E pronto…por hoje não tenho força para escrever mais. Até amanhã.

 


 

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E hoje, uma mudança total de cenário, ainda que seja só por hoje mesmo. Das montanhas mais altas em que já estive, para a beira mar. Viagem de 670 km desde San Pedro de Atacama até Arica, no extremo norte do Chile, junto ao oceano Pacífico. A viagem foi tranquila, quase sempre com tempo bastante nublado. As estradas no Chile são surpreendentemente boas, especialmente as principais, e têm pouquíssimo trânsito, o que se entende pela pequena população para um país tão extenso. 90% do trajecto foi bastante monótono, com rectas com dezenas de km, sempre acompanhadas da mesma paisagem desértica, como pode ser visto na imagem em baixo.

centenas de km disto :)
centenas de km disto :)

No entanto, a pouco mais de 100 km de Arica, a estrada começa a passar por entre montanhas….um cenário surreal. Nunca tinha visto uma paisagem parecida. Valeu pelos outras centenas de km super chatos.

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Pela manhã, antes de sair de San Pedro, fui tirar algumas fotos antes dos turistas acordarem. A foto principal deste post é uma das ruas. São todas mais ou menos iguais. Aquilo é basicamente uma grelha de ruas paralelas e perpendiculares. De manhã cedo as ruas estão assim. Grande parte das lojas e agências de turismo estão fechadas. Pela tarde é tanta gente que é difícil passar com o carro.

E agora estou em Arica apenas para passar a noite. A placa à entrada da cidade diz “Bem-vindos a Arica. A cidade da eterna primavera”. Pelo menos pela amostra de hoje, parece que sim. Amanhã saio cedo em direcção ao Parque Nacional Lauca, de novo para as altitudes :)

 


 

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Na foto, o Valle de La Luna e a Eléonore, minha parceira de viagem neste dia :).

Hoje reservei o dia para ficar aqui mais por perto de San Pedro. Também estou a escrever este texto mais cedo porque vou voltar tarde, depois do por do sol, e não me vai apetecer escrever :). É o meu último dia nesta região e como amanhã tenho uma longa viagem de 600 km pela frente, resolvi ter um dia mais tranquilo e menos cansativo. O plano era fazer duas visitas ao Valle de La Luna, uma pela manhã e outra pelo final do dia. A razão é simples…durante a manhã aquilo está completamente deserto e tive a paisagem quase só para mim. Para mim e para mais meia dúzia de pessoas, incluindo a minha companhia inesperada….mas já lá vamos. Durante a tarde o local é invadido pelos turistas, que escolhem a tarde por ser o melhor local aqui nos arredores para assistir ao por do sol…e essa é a razão pela qual ainda vou voltar lá hoje no final do dia. Além deste local emblemático do Deserto de Atacama, ainda fiz mais algumas visitas a alguns pontos interessantes aqui nas redondezas.

Um daqueles marcos simbólicos :)
Um daqueles marcos simbólicos :)

Agora a história da companheira de viagem inesperada. Por volta das 9:30, hora a que abre o parque do Valle de la Luna, estava eu junto à bilheteira, já com a entrada paga e à espera que abrissem o acesso, e vem ter comigo uma moça a perguntar se eu a levava até ao final da estrada (são cerca de 11 km) e que ela depois voltava a pé. Ok…porque não, perguntei eu para mim mesmo. Conclusão…acabou por andar comigo o tempo todo e acabou por regressar comigo a San Pedro. Ela é francesa mas da Ilha de Reunião, uma ilha perdida no Oceano Índico, perto de Madagáscar. Como ela falava espanhol perfeito e eu portunhol, lá nos entendemos muito bem. Eu digo sempre que viajar sozinho não significa viajar sozinho :).

Como já referi, amanhã mudo-me de região. Antes de sair daqui ainda vou tirar umas fotos de San Pedro e depois vou viajar para o extremo norte do Chile, mais precisamente para a cidade de Arica, praticamente na fronteira com o Peru. O objectivo é visitar na quarta feira o Parque Nacional Lauca, que também é muito bonito.

Então até amanhã, já noutra cidade :).

 


 

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Que dia! Apresento-vos o “meu” carro a posar junto à lagoa mais bonita do mundo. Ok, posso estar a exagerar um bocadinho…mas é realmente um dos locais mais belos que já tive o prazer de visitar. E o melhor, estive lá uma hora e meia completamente sozinho. A maior parte das pessoas não se aventura quando a distância é um pouco maior e o caminho é um pouco mais complicado. Foi o dia das lagoas. Visitei várias e as fotos aparecerão a seu tempo.

Hoje ao passar por uma localidade de nome Peine, vi um sinal de trânsito muito engraçado. Dizia “Em Peine não nos sobram crianças. Circule com cuidado”. Achei diferente :).

E mais um recorde de altitude batido. A partir de hoje não subo mais senão não tarda e vou ter que pedir autorização a Deus para passar! :D Sinceramente nunca pensei um dia poder vir a estar a uma altitude destas. E penso que dificilmente algum dia a vou bater.

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E porque parece que em todas as viagens tem que me acontecer algo fora do normal, desta vez vi-me apanhado pela segurança de uma propriedade privada :D. Isto é daquelas coisas que depois tem piada mas no momento é constrangedor. Vamos ver se me consigo explicar. Aqui nos arredores de San Pedro existe um observatório astronómico chamado A.L.M.A.. A propriedade onde está localizado abrange dezenas de quilómetros quadrados. Eu andava, como de costume, pelas montanhas à procura de locais interessantes para fotografar. De repente vem uma outra pickup na minha direcção e manda-me parar. Eu paro e sou informado que estou dentro de uma propriedade privada. Imediatamente pedi desculpa mas cá para mim estava a pensar “se é uma propriedade privada, por que raio as entradas não estão fechadas???”. É que pelos vistos eu entrei por uma entrada secundária e não me apercebi. Realmente o caminho era tão mau que eles devem ter pensado que nenhum maluco ia entrar por ali. Conclusão…fui escoltado pela segurança até à entrada principal…provavelmente uns 30 km de distância desde o local onde me apanharam. No fim das contas até foram super simpáticos e disseram de imediato para não me preocupar e tal. Enfim. Mais uma para a colecção de coisas estranhas que me acontecem em viagem :).

Tudo dito por hoje que estou mais cansado do que tem sido habitual. O dia foi mais longo. Hasta.

 


 

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Dia 2 no deserto! Escolhi esta foto porque tem a ver com a história do dia…e já agora desculpem a edição pouco cuidada mas fotos a sério, só quando voltar para casa. A história da melhor foto que não tirei :). Pois bem. Como podem ver na imagem, dá para ver uma pequena parte de uma lagoa com uma cor esverdeada. Essa lagoa chama-se Laguna Verde e é muito bonita. Então porque é que eu não tirei fotos decentes do local? Infelizmente, entre mim e a lagoa, estava uma fronteira! É frustrante. A Laguna Verde fica já em território Boliviano…eu basicamente seguia numa estrada ao longo da linha fronteiriça. Como não posso atravessar a fronteira com um carro alugado, fiquei apenas pela vontade. O que chateia ainda mais é que com aquele terreno e eu com uma pickup, dava para chegar lá sem ser pela estrada…mas não achei boa ideia entrar noutro país ilegalmente :).

Esta região tem essa curiosidade…uma localização interessante. Hoje andei cerca de 150 km, e cheguei à fronteira com a Argentina. Voltei para trás e passadas umas dezenas de km, estava na fronteira com a Bolívia. Daqui a uns dias vou estar a poucos km da fronteira com o Peru.

E hoje bati mais um record de altitude, como podem ver na imagem em baixo. Mais uma vez doeu-me um pouco a cabeça. O problema é que San Pedro de Atacama fica “apenas” a 2400 metros de altitude e saindo daqui, em poucos km sobe-se 2 mil metros. É impressionante como uma pessoa se cansa nestas altitudes. Hoje para tirar uma foto, subi um pequeno morro…parecia que tinha escalado o Everest! Uma pessoa fica sem conseguir respirar.

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San Pedro de Atacama tem 2 mil habitantes mas com a quantidade de turistas que aqui estão alojados, nem dá para passar com o carro nas ruas, de tantas pessoas que lá andam. Pensem numa aldeia com ruas estreitas, repletas de turistas. Tenho que ver se vou um dia de manhã cedo tirar algumas fotos, antes das pessoas acordarem. Não que tenha muito interesse fotográfico, mas para mostrar como é.

E pronto, amanhã há mais.

 


 

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Primeiro dia completo no Chile. Antes de mais, escolhi esta foto por dar uma ideia geral de como é a paisagem por aqui. Ontem à noite, quando finalmente abri o meu saco de viagem para ir buscar alguma roupa, eis que dou pela falta da camisola do Benfica (camisa para os meus amigos brasileiros :)) que tinha comprado em Lisboa antes de vir e que não cheguei a vestir. Não há dúvida que há ladrões com muito bom gosto. É que foi a única coisa que desapareceu e havia no saco roupa com valor semelhante. Agora falta saber se o amigo do alheio em causa é americano, chileno ou mesmo português. É a segunda vez que me acontece. Quando fui ao Egipto, já há muitos anos, desapareceram duas. Na ocasião foi uma do Benfica e uma de Portugal. Está visto que não volto a levar coisas relacionadas com futebol. Ou seja, já estou com 100 euros de prejuízo. Enfim. É daquelas coisas impossíveis de evitar ou controlar.

Pela manhã fiz a viagem entre Calama e San Pedro de Atacama. São cerca de 100 km de uma viagem muito tranquila. A estrada é boa, tem pouco trânsito e são raras as curvas. Para já o carro porta-se bem. Tem um motor fraquinho e isso nota-se quando há subidas mais íngremes…mas o lado bom disso é que gasta pouco. Hoje fiz 400 km. Não é muito quando comparado com outras viagens mas parte do dia foi complicado. A altitude tem um efeito complicado no nosso organismo. Já ontem quando cheguei me doeu a cabeça, coisa que nunca me acontece no dia a dia…e hoje a mesma coisa. Como podem ver pela imagem, quando falo em altitude, é altitude mesmo :). E é difícil de perceber que estamos tão acima do nível do mar. Como o deserto de Atacama se encontra num gigante planalto, não se tem a ideia da altitude. Agora já me sinto bem, espero que o corpo se tenha finalmente adaptado. Isto já me tinha acontecido quando estive em Puno, no Peru, há uns anos.

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Em relação às minhas primeiras impressões, é um local diferente. É um deserto com características muito próprias, muito diferente de outros desertos que já visitei. As fotos dos próximos dias irão falar por si. As estradas são surpreendentemente boas, mesmo as que são de terra. Há pouquíssimos turistas e isso também me surpreendeu. Os que há, são do tipo de andar em rebanho :). Quero com isto dizer que andam em grupo, em tours organizados. Vi muito poucos com eu, em carros alugados…e vi uma caravana francesa!!! Quem é o maluco que põe uma caravana num navio para passear no Chile??? Imagino que vão andar pela América do Sul uns largos meses, só assim se justifica.

Hoje acabei o dia cedo porque o lodge onde estou alojado fica num local que se não fosse o GPS, ainda andaria há procura dele neste momento. Muito difícil de encontrar mesmo!! Se San Pedro de Atacama fica no fim do mundo, podemos dizer que isto é no fim do mundo do fim do mundo :D. E por esta razão, não queria chegar cá já de noite. Amanhã há mais.

 


 

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34 horas. Esse foi o tempo exacto que demorei desde que entrei no aeroporto de Lisboa até ao momento em que entrei neste quarto de hotel em Calama. Não é fácil. E sim, eu sei que só o faço porque quero e tenho sorte em poder faze-lo…mas acreditem que estas longas viagens custam na mesma, ainda mais quando são estadias curtas e sabendo eu que vou ter que aguentar ainda pior no regresso. Enfim.

Como disse, estou em Calama. Calama é uma cidade sem qualquer interesse, que pelo que percebo, vive da actividade mineira na região. No entanto, sendo o aeroporto mais perto de San Pedro de Atacama, que é a base para quem vai explorar o deserto, é o aeroporto de chegada para quase todos. Como sabia que ia chegar super cansado, optei por ficar aqui a primeira noite para não ter que ainda fazer a viagem de cerca de 100km até San Pedro. A recolha do meu carro alugado foi interessante. Eu à espera de uma pickup Toyota Hilux, que era o que a Budget apresentava como exemplo no site, e sai-me uma pickup Mahindra. Nem sabia que eles faziam pickups, só sei que é uma marca indiana. :) Isto para não falar que deve ter praí 10 anos, embora não tenha muitos km. Espero que se porte bem. Não se costuma dizer que o importante não é o aspecto mas sim o interior? Rezo para que neste caso seja verdade. A seu tempo vai aparecer alguma foto do carro.

E pronto, por hoje é isto. A foto é daquela que para mim é uma das mais bonitas aproximações a um aeroporto. A chegada a Santiago do Chile, vista de um moderno Boeing 787 Dreamliner. As suas grandes janelas só ajudam a apreciar ainda mais a paisagem. Infelizmente os reflexos na janela não ajudam. Mas pronto, é o que há para hoje :).

 


 

 

Já lá vão uns anos desde que estive no Chile pela primeira vez. 12 anos para ser exacto. Mas o Chile é outro daqueles países que merecem uma segunda visita. A sua geografia faz com que o sul e o norte tenham paisagens completamente diferentes. O sul, onde estive em 2004, é verde, frio, úmido. O norte é deserto. E o Deserto de Atacama oferece paisagens únicas.

Portanto amanhã lá vou eu para mais uma longa viagem de Lisboa a Calama, com paragens em NY e Houston, nos Estados Unidos, e Santiago, no Chile. Espero que seja bem mais tranquila do que a minha viagem anterior :).

 

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